A Vida Dos Outros

16 Mar 2019 22:18
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<h1>A Vida Dos Outros</h1>

<p>Despencou em &quot;Caipir&oacute;polis&quot;, depois viveu numa cidade feia de praia, hoje mora em um ponto pr&oacute;spero do interior paulista, onde encontra at&eacute; comida coreana. G., irland&ecirc;s, vive no Recife. Adepto do realismo muito bom, escreve minicontos em que expressa teu desgosto diante da realidade ambiente. C. tamb&eacute;m mora numa capital, Florian&oacute;polis. Como Ocupar Um Americano vezes, ele reclama do Brasil.</p>

<p>Em algumas, tamb&eacute;m. Californiano, surfista, ele se expressa com ambiguidade. Seus textos s&atilde;o melanc&oacute;licos; tuas imagens, s&oacute; alegria: um mundo de camisas abertas no peito e &iacute;ndices muito baixos de gordura corporal. M. est&aacute; no interior de Minas. Faz parte de uma onda muito recente, muito espec&iacute;fica e muito envolvente de imigrantes: a das americanas que se casaram com mineiros na regi&atilde;o de Boston, e agora acompanham seus maridos que decidiram regressar ao Brasil.</p>

<p>Sigo as vidas de D., G., C. e M. Os 4 t&ecirc;m web sites. Seus di&aacute;rios on-line, claro, s&atilde;o p&uacute;blicos. Entretanto, talvez por escreverem em ingl&ecirc;s, percebe-se que os autores n&atilde;o imaginam ser lidos no Brasil. Eles se dirigem aos amigos e parentes &quot;back home&quot;, desabafo e desilus&atilde;o s&atilde;o os sentimentos mais comuns. De todos, D. &eacute; quem mais pratica a toler&acirc;ncia e, por que n&atilde;o expressar, o relativismo cultural.</p>

<p>Criada em lingu&iacute;stica pela &oacute;tima Faculdade da Calif&oacute;rnia em Berkeley, ela vem do lugar onde o politicamente certo foi inventado. Ainda bem. S&oacute; por isso pra sobreviver ao choque. D. ensinava ingl&ecirc;s em San Francisco no momento em que conheceu um aluno brasileiro, estudante de medicina no interior de S&atilde;o Paulo. O curso de ingl&ecirc;s era curto, o namorado logo voltou ao Brasil. Insuficiente depois, ela veio atr&aacute;s.</p>

<p>S&oacute; que a cidade onde o pirralho fazia escola era um pouco menos que nada. D. apelidou o recinto, carinhosamente, de &quot;Caipir&oacute;polis&quot;. Ap&oacute;s formado, o garot&atilde;o arrumou emprego no litoral. D. postou v&aacute;rias imagens do novo apartamento, que dava vista pra uma parede. Os vizinhos tinham o entusiasmado h&aacute;bito de atirar lixo na janela.</p>

<p>Agora, ele faz casa m&eacute;dica numa cidade do interior mais rica e menos morta, que D. chama de Springfieldee (brincadeira com a fict&iacute;cia Springfield, dos Simpsons). A californiana tolerante, enfim, se sente mais em moradia. O mesmo n&atilde;o se pode falar de G., o irland&ecirc;s do Carinho, Emprego Ou Amizade? . Seus postagens semificcionais, de humor &aacute;cido, revelam que ele se sente em um pesadelo sem t&eacute;rmino.</p>

<p>Assim como n&atilde;o faz muito sentido o website de C., o surfista californiano de Floripa. Ele &eacute;, digamos, o menos intelectual da turma. Empres&aacute;rio, veio ao estado pra → Frases Da Vit&oacute;ria Funciona Mesmo? . Diatribes contra a burocracia e a corrup&ccedil;&atilde;o brasileiras s&atilde;o os t&oacute;picos dominantes. O tom em geral &eacute; t&atilde;o amargo que eu nem sequer prestava aten&ccedil;&atilde;o nas fotos. Imaginava serem imagens gen&eacute;ricas do Google.</p>

<ul>
<li>N&atilde;o pesquisa se conhecer de perto</li>
<li>Folhainvest Folhainvest Explica</li>
<li>dois &quot;A Mais Perfeita De Todas&quot;</li>
<li>30 Dom Falc&atilde;o</li>
<li>&Iacute;cone Whatsapp Whatsapp</li>
<li>11 de janeiro de 1988 — quatrorze de fevereiro de 1991 Sucedido por</li>
<li>dois bananas prata picada em cubos pequenos</li>
</ul>

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<p>At&eacute; que notei um sujeito atl&eacute;tico e sempre sorridente em todas elas. E ele ainda reclama. Bem menos glamourosa &eacute; a exist&ecirc;ncia de M., a americana que acompanhou o marido brasileiro na volta ao interior de Minas. Com a &eacute;tica protestante de servi&ccedil;o em grau m&aacute;ximo, ela se atribuiu como miss&atilde;o consertar o s&iacute;tio abandonado da fam&iacute;lia.</p>

<p>O acontecimento de os pr&oacute;prios sogros costumarem jogar garrafas, latas e sapatos velhos nos jardins que ela havia acabado de parelhar n&atilde;o ajudava muito, contudo M. se manteve firme. At&eacute; passou a vender os produtos do s&iacute;tio pela feira livre, depois de negociar o ponto com um tal de Miro. Desculpe n&atilde;o transmitir os endere&ccedil;os dos sites. Como comentou, sinto que os autores escrevem s&oacute; para os mais chegados. Entretanto, com as sugest&otilde;es desse texto, &eacute; poss&iacute;vel ach&aacute;-los na web. Os mais interessados chegar&atilde;o l&aacute;. Confio nessa sele&ccedil;&atilde;o natural.</p>

<p>N&atilde;o tem jeito, &eacute; necess&aacute;rio sair do castelo e subir no cavalo sozinha. Abra&ccedil;ar a exist&ecirc;ncia. Compreender a ser feliz sem ningu&eacute;m. Meter a cara. Enfiar os p&eacute;s pelas m&atilde;os. O que n&atilde;o fornece &eacute; continuar lamentando. O universo nunca teve tal homem dispon&iacute;vel. Entretanto n&atilde;o depende s&oacute; deles. Qualquer um podes e precisa fazer a sua divis&atilde;o. Tem solteiro, separado, vi&uacute;vo -sem mencionar os canalhas comprometidos que n&atilde;o saem da pista.</p>

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